segunda-feira, 6 de junho de 2011

CLIC

Ainda me lembro de você em falsa fotografia. Meus olhos te captaram, e, naquele momento, algo em meu peito fez clic.
Doce mulher, tão minha, ao passo que tão distante. Me cobra de tudo e nossa aliança feita de nadas. Teu abraço, teu laço, tu, menos teu beijo. Tão minha, mas só dela.
E somos, ou seríamos, um casal incrível. Mas da perfeição de nossas palavras fazemos apenas silêncio. E falamos, falamos, falamos, mas o peito é mudo. Nem sequer um pequeno sussurro, te juro. Serás a menor no maior dos meus segredos...
Em rimas, te escreveria poema, mas em minha vida te quero assim: prosa longa, doce. E, em minha memória, ainda que minha boca não o diga, serás sempre aquela da fotografia que só os meus olhos puderam ver.
CLIC: Copacabana, chopp, luar, Ela.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Clave de Sol


Quero viver para só escrever-te,
assim, poderei ser a sua música.
O tom perfeito para uma leitura
atrás da porta ou deitadas na rede.

Te amarei em princípio, fim e meio
Me cantarás em um tom bem maior.
Um amor em ordem fá, sol, lá, si, dó.
Corpo do texto: boca, pernas, seios.

À minha inspiração, dou esta pena
e meu peito entrego descoberto,
como quando tenho seus lábios perto.
Escreverei assim você, poema

e você canta a mim, sua canção.
Tão fácil é compor a sua boca.
Tão fácil entregar-me assim, toda.
Tão bom nós juntas no texto do som.

Te aqueço com chamas de meu lençol,
quente a carne. No som da madrugada,
serei sua palavra complicada
se você for minha clave sol.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mais um pensar...

Me perguntaram ainda agora da minha conclusão sobre o amor das experiências que eu tive. Experiências?! Não entendi o plural.
Mas enfim, acho que me fiz essa pergunta a minha vida toda. E daquilo que tive só pude encontrar uma conclusão. Mesmo que não seja de flores, mesmo que não seja uma feliz conclusão.
O amor? Do que sei eu dele? Sei que amei.
Amar? Amor é isso. Amar porque não consegue não amar. Ainda que o infinito seja de motivos para tal... Ainda que nada eu saiba. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Devaneio de um pensar.


Hoje resolvi escrever sem máscaras. Hoje não me sinto Lilith, não estou voltada para Sophia. Hoje sou apenas esse eu livre de corretivos, base e pó de arroz. Talvez apenas um batom vermelho. Vermelho sangue, pois mordo meus lábios ao passo que me relato. Hoje apenas a libriana aos 20.
Há dois anos (talvez menos), me julguei ser tal qual uma cor pastel. Neutra. Apática. Crua. Julguei-me assim porque já não mais chorava. Houve certa vez a dona dos cabelos longos e sorriso puro, mas para ela eu apenas tentava provar que eu não poderia ser bege. Poderia ser azul, roxa, laranja ou até verde, mas não bege. Eu não mais chorava. Sequer lembrava a última vez que havia lágrimas de verdade, sem que para tal eu necessitasse montar o meu palco com uma tragédia shakespeariana ao cenário de papelão.
Me julgava então uma espécie de poeta sem caneta... papel.... Pior! Sem versos! Impossível! Eu? Jamais. Libriana com vocação para palavras e recoberta de ideologias? Nunca. Insisti sem certezas. E foi um ano inteiro persistindo e correndo atrás das malditas lágrimas que não me desciam aos olhos. Nada e ninguém me faziam chorar sem a montagem detalhada do tal palco. E isso me perturbava.
Já ouviu falar daquele ditado que fala sobre as coisas acontecerem quando não estamos esperando? O acho ridículo, mas tenho de dizer que o tal é verdadeiro. Quando eu estava acomodada aos tons de areia que eu havia me tornado, começou: Vermelho, Vinho, Negro. Me tornei de repente água. Lágrimas: hoje as tenho para dar e vender.
Confesso que achei estranho e, ao primeiro impacto, julguei ser somente pela situação que vivia – da qual não ousarei falar sem meu kabuki –, aquela que fez de minha vida um palco (talvez não shakespeariano, mas uma montagem do Caio Fernando). O que me surpreendeu mais do que as lágrimas que daí vieram, foram as lágrimas que brotaram das minhas alegrias. E até mesmo as lágrimas que surgem dos meus assuntos repentinos sem mais nem porquês.
Enfim, vou ao meu ponto. Sou um signo de ar e não me agrada essa água. Não me agrada nada a garganta engasgada e os olhos úmidos a qualquer tentativa de emoção. Não me entenda mal, não quero voltar a ser pedra. Mas não fica bem para uma libriana esses excessos. Que sejam úmidos os aguados e insossos os conformados terrenos.
Cansei dessas tonalidades. Opto agora por nuances de vermelho: ora ocre... ora vinho. Sou de ar e isso me apetece. Um extremo brisa de veraneio. Um extremo de vendaval e chuva. E meio termo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Memórias de um Frangipani Senil

Tive um Rosa certa vez. Minha rosa tinha as pétalas mais lindas e os mais afiados espinhos. Minha rosa era a mais amada flor do meu jardim. Esperava ansiosa o dia que minha Rosa me daria botões de flores.
Seriam tão nossas, seriam tão como ela. Minha rosa poderia espetar-me por toda a vida e eu não ligaria. Minha rosa era tão cheia de vontades. Minha Rosa era tão cheia do meu amor.
Dei a ela água, ar, um biombo e uma redoma. Amava tanto e mais que tudo a minha Rosa. Mas um dia, não sei o porquê, minha rosa passou a desgostar-me. Minha Rosa, não sei como, passou a duvidar do seu, do meu e daquilo que chamamos de nosso amor.
Pobre rosa... Pobre de mim... Quando quebrou a redoma que havia reservado para o nosso amor, cortou-nos ambas. Machucou suas pétalas tão lindas, tão perfeitas. E ver minha Rosa triste, ainda hoje, me dói mais que qualquer ferimento. Me dói da raiz aos frutos que ainda não surgiram.
Prefiro minha rosa zangada comigo que vê-la ferida. Ainda que ambas me doam, morro um pouco a cada vez que ela se rega de lágrimas. Não tento esquecê-la, não busco a impossibilidade. O esquecimento, como caco de vidro, fere de todas as faces, então prefiro ferir apenas um lado: o meu lado.
Agora passo meus dias vivendo minha rosa de lembranças. Sarando as picadas de seus espinhos e me cortando com os cacos da redoma que guardava nosso amor. Me firo enquanto vou recontando para o infinito em escrito a nossa história. A reescrevo infinitamente enquanto vão caindo ao chão, doentes de tristeza e vazio, as flores do meu frangipani.
Tive uma Rosa certa vez...

sábado, 11 de setembro de 2010

Ah, Bruta Flor, Bruta Flor...



Não sei o que ela tem. Só sei que ela me tem...

Estranho esse sentimento de encantar-se pelo que nunca pretendeu ser encantador, mas assim que vejo esses seus olhos negros como pérolas raras que se trancam ao rir-se das alegrias da vida. Ah, quando rir-se de algo... Sinto meu espírito tão perturbado, tão feliz, tão nervoso e não consigo encarar-te sem sentir minha face inteira se ardendo e incendiando em silêncio. Se soubesses o quanto me dói esse silêncio, minha flor, sobretudo quando se faz presente seu sorriso. No momento em que sua pele branca vai se corando em torno de suas maçãs, meu peito grita e sinto um medo tão intenso de ser descoberta por me perder em sonhos na sua imensa graça.

Sei que nunca houve de sua parte intenção de semear isso dentro de mim. Compreenda que jamais poderei culpar-te por ser a flor dos meus olhos. Peço que também não me culpe, afinal, mesmo antes de tudo ter-se início, eu já sentia a inquietação ao ver-te. E não me culpes, meu encanto, não me culpes por não poder escolher seu tipo de flor. Entre Rosas com espinhos, Girassóis buscando o sol, Orquídeas como damas da noite, Tulipas, Margaridas, Violetas, Acácias e Azaléias... Tu és mais, ainda que não sejamos nada. Tu és feita inteira de flores. Do pequeno corpo curvilíneo aos cabelos ondulados e castanhos.

Ah, dona dos lábios de pêssego, por que só se faz tão bela assim ao meu ver? Primeiro foi a sua boca, depois seu sorriso e, quando me deparei com esse seu jeito, foi o meu fim. Foi apenas uma noite ao seu lado e eu dentro de minha redoma. Você sorriu e todo o cristal que me cercava veio por chão. Não poderia fazer nada ali, jamais faria algo naquela situação por mais que o álcool me livrasse do temor. Mas acredite, flor, é você que sempre sacudirá minha alma com apenas um sorriso de face corada.

Fico por essas linhas, mulher. Fico antes que minha revolta por querer-te se faça aparente. Termino aqui para não me perder em meras ilusões de um dia sentir-me perder nas pétalas que chama boca. Mas quem sabe... um dia... um talvez, minha bruta Flor do querer.

domingo, 27 de junho de 2010

Tarot


"Não pergunte às cartas, elas falarão.", ele disse quando viu minha cara de decepção ao ver o que seria dali pra frente. Não adianta lutar com o destino. Não adiantam pedidos de cílios. Uma pena não adiantarem as promessas em meio à madrugada.
Mudanças não se dão sem vontade. Eu sempre soube disso, mas é difícil aceitar esse abismo. Essa plenitude de ausência, excesso de vazio.
Não sinto sua falta, mas há algo que não sei explicar e talvez nem deva. Algo que sabe que no fundo haverá sempre esse elo, mesmo que disfarçado de semi-círcirculos.
Não devia ter perguntado às cartas, ao menos nos restaria a esperança. Mas esse é o destino e agora vemos que não somos fortes. Nunca fomos.
Não deveríamos ter permitido esse abismo... Mas agora vamos ver o que a vida nos reserva.
Talvez uma ponte. Talvez ausência. Opto pela primeira, mas... Do que eu sei?